Caracterização de padrões de urbanização portadores de sociobiodiversidade na Amazônia Oriental

Sobre o que é?

Esse projeto se dedica a explorar e caracterizar os padrões de urbanização no contexto amazônico, fortalecendo e dando destaque à sociobiodiversidade da região através da criação de um repertório urbano-natural.
 

Aqui, abordamos a natureza como lugar em potencial para a inovação tecnológica e social e para (re)construção de relações socionaturais, além de meio para irradiação de novos valores, de avanços técnicos, sociais e econômicos.
 

A proposta pensa o desenvolvimento endógeno (a partir de dentro), com bases na recuperação de saberes, práticas, formas de gestão, e da combinação dessas capacidades a novas tecnologias, reconhecendo as características particulares do urbano amazônico: híbrido em rápida transformação, com temporalidades, modos de vida e de produção entrelaçados. No entanto, tal complexidade e diversidade do urbano amazônico tem se mantido invisível para as práticas do urbanismo e das políticas urbanas contemporâneas e, cada vez mais substituídas por práticas modernas
 

Diante disso, através de análises interdisciplinares e assumindo a falta de investigação sobre os modos particulares de práticas territoriais amazônicos, o projeto sustenta a hipótese de redução das possibilidades de inovação na gestão territorial e a da plena realização do potencial sócio econômico cultural e ambiental local, na medida em que as suas estruturas espaciais são apagadas antes mesmo de serem (re)conhecidas e compreendidas.

Origens e financiamentos

A necessidade de compreender melhor a articulação entre cidade e natureza, ou a produção das socionaturezas produzidas na Amazônia tem origem um percurso de pesquisa que antecede a criação do URBANA, e se beneficia da parceria com pesquisadores da UFMG, envolvidos por mais de uma década no planejamento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, de pesquisadoras francesas dedicadas à  investigação da política ambiental urbana francesa, e das parcerias  com pesquisadores do PPGE, do PPGAU e do NAEA na UFPA.

A proposta foi aprovado pelo edital Universal/CNPQ, faixa C em 2016 (processo no. 430801/2016-5), como contraparte operacional dos financiamentos da Bolsa de Produtividade em Pesquisa nível 2 da coordenadora, intitulados: “Subsídios para a produção do ‘urbano natural’ na Amazônia: leituras socioespaciais e socioambientais dos processos de urbanização em curso na Amazônia Oriental”, desenvolvido entre 2016-2018, e  “Estudos morfológicos e ecológicos de espaços da vida cotidiana em cidades amazônicas: caracterização de socionaturezas urbanizadas”, desenvolvido entre 2019-2021.

Desdobramentos

O projeto gerou até 2021 8 dissertações, 1 tese de doutorado e 7 relatórios de PIBIC.

Em decorrência da pandemia de Covid-19, e da impossibilidade de realização de viagens ou mesmo de reuniões neste período inviabilizou as reuniões programadas, e demandou duas prorrogações junto ao CNPQ, a primeira para o ano de 2020 e a segunda para o ano de 2021. Seus resultados serviram de base para a proposta do projeto Contracartografias, dedicado ao estudo de comunidades inseridas em contexto periurbano das Regiões Metropolitanas de Belém e Santarém.

Navegue pelo projeto:

 

Produção Técnica

Pesquisas e publicações
As publicações são produtos diretos fruto das pesquisas do projeto, as quais abarcam diversos conceitos sobre o espaço urbano:

Ana Carolina Campos de Melo e Ana Cláudia Duarte Cardoso

Este artigo analisa os conflitos e articulações subjacentes à intervenção em uma área de preservação, em Parauapebas, Sudeste do Pará. Discute como as ações do setor imobiliário tem se articulado à esfera pública e a atores locais, e superado limites impostos à expansão imobiliária, em particular, aqueles colocados pela legislação.

Taynara do Vale Gomes e Ana Cláudia Duarte Cardoso

Este artigo discute o progressivo descolamento observado entre cidade, urbano, rural e natureza em contexto amazônico. Partiu-se da geo-história, abordagem lefebvriana de análise da formação espacial, do sítio de Santarém (PA) e adjacências, para explicitar a natureza híbrida de um tecido urbano extensivo, formado por tipologias urbanas descontínuas (cidade e vilas), periurbanas (comunidades e assentamentos) e rurais (campo de soja, floresta e comunidades extrativistas), segundo arranjos socioespaciais herdeiros de diferentes matrizes culturais.

Ana Cláudia Duarte Cardoso, Kamila Diniz Oliveira e Taynara do Vale Gomes Pinho

Este artigo tem por objetivo investigar razões para o não florescimento do debate ambiental na urbanização contemporânea do Sul Global, por meio de um estudo da recém-criada Região Metropolitana de Santarém, localizada na Amazônia brasileira, em área de ocupação milenar que hoje é zona de superexploração de recursos naturais.

Videos animados: Rastreando Manifestações do Urbano

Série de vídeos elaborados como estratégia de divulgação dos resultados da iniciação científica das alunas Rafaela Carolina Bulhões e Letícia Ribeiro Vicente. O objetivo deste produto é a exposição da realidade, rotina e arquitetura das ilhas da região metropolitana de Belém:

Rastreando Manifestações do Urbano- Natural na Belém Continental

Rastreando Manifestações do Urbano- Natural na Belém Insular

 

Ensino

Os vídeos abaixo são produtos da disciplina de Teoria e Análise Regional e Urbana II (TARU II) do período letivo de 2021.1, como culminância da disciplina, à luz dos conhecimentos e teorias sistematizados dentro do grupo de pesquisa. Cada vídeo aplica esses conhecimentos na análise de localidades dentro da cidade de Belém ou em sua Região Metropolita.

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Análise regional e urbana da área central, com foco nos bairros Marco e Pedreira

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Análise regional e urbana das baixadas

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Análise regional e urbana da Ilha do Combu

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Análise regional e urbana de Castanhal

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Análise regional e urbana do Centro Histórico

 

Eventos

O projeto de pesquisa também teve como resultados alguns eventos, os quais você pode conferir abaixo, junto com as produções e resultados de cada um. 

Exposição DI | VER | CIDADE
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Para acessar os painéis como o do exemplo, clique no nome da cidade ou bairro
 

 

Você realmente conhece a cidade em que vive? O que lhe chama mais atenção? Que problemas ou potenciais destaca? Existem semelhanças entre os bairros da Região Metropolitana de Belém (RMB) e as cidades do interior?  

Com essas perguntas a exposição DI | VER | CIDADE tem como objetivo ampliar a compreensão sobre a desigualdade socioespacial existente na capital e entre as cidades do estado do Pará e apresenta ao público 13 painéis sobre bairros da Região Metropolitana de Belém e 13 painéis sobre cidades do Pará. Este material é resultado de um esforço coletivo de alunos do Mestrado e de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPA, sob orientação da professora Dr. Ana Claudia Duarte Cardoso.

O material produzido explora a espacialidade da vida social. O espaço concebido refere-se às representações oficiais; o espaço percebido apresenta imagens e leituras das pessoas que efetivamente utilizam o espaço; e o espaço vivido explora as experiências de vida forjadas naqueles espaços.

Esperamos que isso facilite a compreensão da realidade da cidade amazônica, das práticas correntes e de suas implicações sobre aspectos socioeconômicos e físico-territoriais, estimulando a pesquisar mais sobre o que significa viver na Amazônia.

​Cidades do Pará:

Sidney Pery da Silva Costa Filho

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Eduardo de Moraes Borges Júnior

Felipe Ferreira da Silva

Larissa Galvão Teixeira

Alison Ramos da Silva

Rafaela Carolina Bulhões de Oliveira

Letícia Ribeiro Vicente

Silvinete Rodrigues e Rodrigues

Fernanda Cavalcante Brabo

Hudson William da Silva Pereira

Rafael Matos de Abreu

Carlos André de Souza Reis

Danielle Saori Enomoto Hantani

​Bairros de Belém:

Hugo Felipe Arraes de Souza

Ana Paula da Silva Gonçalves

Cauê Oliveira Silva

João Ricardo do Espírito Santo

Anderson da Silva Tavares

Sarah Louise Oliveira Jiménez

Pamela Araújo de Figueiredo

Eduarda Tavares Botelho de Souza

Aline Tainar Matos Quadros

Karine Cristina Aguiar Lima

Renan de Lima Gonçalves

Maurício Miranda Araújo Neto

Ariel Cerqueira Szlafsztein

Responsáveis pela exposição:

Prof.ª Ana Cláudia Duarte Cardoso (PPGAU/FAU/UFPA)

Ana Carolina de Miranda Tavares (PPGAU/UFPA)

Adriana Hiromi Nishida Morelato (PPGAU/UFPA)

Kamila Diniz Oliveira (PPGAU/UFPA)

Letícia Ribeiro Vicente (FAU/UFPA)

Luna Barros Bibas (Laboratório da Cidade)

Rafaela Carolina Bulhões de Oliveira (FAU/UFPA)

Thales Barroso Miranda (PPGAU/UFPA)

Workshop Internacional - Diálogos sobre urbanização e natureza
 

 

Esta atividade buscou discutir experiências francesas e brasileiras, que reconheceram que as tramas compostas por água, vegetação e pessoas são entrelaçadas e portadoras de solução para nosso tempo. Embora a biodiversidade tenha sempre estado presente nas cidades amazônicas, vem sendo progressivamente apagada, levando consigo, por exemplo, a capacidade de absorver a água da chuva ou de dar condições para que formas de trabalho e vida, próprias da região, continuem a existir.

Esperamos iluminar resistências a esse apagamento e possibilidades de ação conjunta para que a cidade possa valorizar seus entrelaçamentos com a natureza, de modo que não precisemos temê-la, nem temer uns aos outros. Buscamos no workshop discutir ideias e ferramentas para que a cidade amazônica se torne mais inclusiva socialmente e adaptada ambientalmente!

Abaixo você pode conferir os tópicos abordados nas mesas, as conclusões do workshop e os registros em áudios das atividades de campo realizadas! Clicando aqui você também tem acesso à ATA completa do evento.

De que se trata?

Como aconteceu?

Esta atividade foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, promovida pelo Grupo de Pesquisa Urbanização e Natureza na Amazônia – URBANA, em parceria com a Université de Tours e do Musée de l’Homme, baseadas na França, com a Universidade Federal de Minas Gerais e com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Trata-se de uma atividade do Projeto de Pesquisa “Caracterização de Padrões de Urbanização portadores de sociobiodiversidade na Amazônia Oriental”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPQ (Processo 430801/2016-5), e realizada nos dias 27 e 28 de junho, e foi seguida de duas atividades de campo (um roteiro continental e outro insular) e de um módulo (disciplina de curta duração) ofertada no PPGAU pelas pesquisadoras francesas que participaram das discussões do workshop.

Discussões das mesas

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O workshop aconteceu no auditório do Ateliê de Arquitetura e Urbanismo e no dia 27 contou com a abertura e apresentação da proposta e mesa redonda sobre o principal problema do evento: A valorização da matriz cabocla de ocupação do território, com a participação da coordenadora da Pesquisa, Profa. Ana Claudia Cardoso (UFPA) e do Prof. Roberto Monte-Mór (UFMG).

Na primeira mesa, a anfitriã apresentou o contexto da região, para destacar a existência de corredores de vegetação dentro e fora da mancha metropolitana, porém que correm risco de desaparecer, junto com suas populações, por não serem incluídos nas normas municipais e metropolitanas. Em contraste com isso são apresentadas as Tramas Verdes e Azuis como referências no trato com essas situações espaciais. Junto disso, o prof. Roberto Monte-Mór (UFMG), chamou atenção para a fase de elevada degradação ambiental e exclusão social em que vivemos para então apresentar a Trama Multicolorida como alternativa de articulação entre cidade e natureza.

Na segunda mesa a Profa. Laure Cormier (Université de Tours, França) compartilhou a trajetória do planejamento territorial da França e da Europa e a regulamentação das Tramas Verdes e Azuis como corredores de proteção de biodiversidade, porém destacou que melhor será o desenvolvimento de uma nova relação com a natureza e sua incorporação às cidades.

Na terceira mesa tivemos exposição da Profa. Heloisa Costa (UFMG) e da pesquisadora Ana Mourão (UFMG) de como se deu a operacionalização da Trama na RMBH, expondo processos que geram conflitos ou que oferecem potencialidades.

Na quarta mesa, a pesquisadora Sabine Bougnon (Musée de l’Homme, França) ilustrou como se dá a gestão urbana ambiental francesa, por meio das experiências em Strasbourg, destacando aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais, além do planejamento para a transição ecológica e o papel de iniciativas de agricultura urbana e do Eco-quartier.

Na quinta mesa tivemos debates sobre as contribuições da economia popular para uma concepção de governança para as áreas que constituem a matriz cabocla na RMB. Foram levantados pontos como a característica de bens comuns dessas áreas para com a cidade e a relação entre sociobiodiversidade e economia popular.

A sexta mesa deu voz ao movimento social, e contou com a apresentação do agricultor Noel Gonzaga, coordenador do Grupo de Consumo Agroecológico – GRUCA, da senhora Lena Monteiro, Presidente da Associação de Orgânicos do Pará, e da Prof. Auriléa Abelém, representante da Associação dos Amigos de Patrimônio de Belém – AAPBEL. Foram discutidos temas como consumo agroecológico, localização de produtores, pontos de venda e o impacto de políticas públicas arbitrárias.

No segundo dia a equipe do INPE apresentou contribuições das técnicas de mensuração de padrões e socioespaciais por meio do sensoriamento remoto em alta resolução para a detecção de padrões de paisagem e seu potencial de utilização para a gestão municipal.

A oitava mesa fez o fechamento da discussão com a apresentação de tipologias que compõem a trama na RMB, de modo a articular o este patrimônio herdado com o debate realizado nas sete mesas do workshop.

Conclusões do workshop

A última sessão do Workshop consistiu em uma discussão ativa a qual procurou identificar formas de entrada para a identificação, registro e institucionalização de formas de proteção e suporte a uma trama verde e azul na RMB. Em seguida
abordou o papel das universidades públicas e suas políticas multicampi no suporte à novas leituras desses territórios que produzem alimentos e dinamizam uma economia popular, que se manifesta na cidade nas feiras livres e mercados. Também foram tecidos paralelos entre a implantação de empreendimentos e conjuntos habitacionais por sobre este território e a expansão urbana e o desmantelamento ou movimentação para mais longe dessas práticas.

 

Será necessário eleger interlocutores e temas para realizar oficinas temáticas, e construir uma pesquisa ação, que permita uma ação de investigação transformadora da realidade, e capaz de transformar os sujeitos baseados nos territórios da trama. Somente desta forma será possível evitar a repetição das propostas convencionais de planejamento, a partir dos velhos instrumentos, e será preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre as estratégias políticas oficiais e as iniciativas populares.
 

A professora Heloisa destacou o protagonismo de diversos coletivos no decorrer da experiência de planejamento na RMBH, onde foram constituídas duas frentes, uma metropolitana que articulava atores diversos com capacidade de articulação variada e uma parlamentar. No caso de Belém, a Universidade poderia reunir o repertório para oferece-los aos atores metropolitanos fomentando a criação desta frente metropolitana, com a participação de movimentos sociais e frentes parlamentares estaduais e municipais, por que estes são os grupos que podem construir a articulação política. Com alguma sistematização será possível abrir a discussão com empresários social e ambientalmente comprometidos, pequenos empresários, para identificar potencialidades de criação ou complementação de arranjos produtivos (caso da produção de maniva cozida, dos batedores de açaí).
 

Miguel chama a atenção para a multidimensionalidade da trama, verde, azul, de fluxos, de lugares, de institucionalidade. Construir uma trama “cabocla” não significa apenas visibilizar, mas fortalecer e eventualmente produzir o espaço social que propiciará a matriz cabocla. A construção da agenda de possibilidades criará repertório, e permitirá a conversa com a antropologia, a biologia, a ecologia, e demandará a ajuda da comunicação. Também há o apelo da saúde, da mobilidade, da melhoria do microclima, mas é preciso fugir das armadilhas do planejamento convencional.
 

Laure destaca a necessidade de uma cartografia apontar onde as coisas funcionam, e onde há conflito, e observar como será possível criar uma trama que resista às flutuações políticas, e mudanças de poder. A presença dos estudantes ribeirinhos,
quilombolas e indígenas na universidade é um ótimo começo.

Áudios das atividades de campo

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O evento encerrou com dois roteiros de atividades de campo, e os registros estão disponíveis abaixo para ouvir na página ou para fazer download.

Grupo 1
00:00 / 07:21
Grupo 2
00:00 / 05:27
Grupo 3
00:00 / 12:57
Laure Cormier
00:00 / 04:08
Catarine Saunier
00:00 / 03:04
Ana Mourão
00:00 / 04:49
Grupo 4
00:00 / 11:15